Centro Vocacional Tecnológico: uma experiência transformadora

Publicado em: 19 de abril de 2018

Natan de Castro Andrade, 22 anos, é um dos estudantes da temporada 2017-2018 do Centro Vocacional (CVT) do Instituto Mamirauá.  Para o jovem, nascido na comunidade Nova Betânia, na Reserva Amanã, Amazonas, a experiência no CVT tem sido uma das mais marcantes da sua vida e uma oportunidade de ajudar a melhorar a qualidade de vida em sua comunidade. Veja o que ele disse sobre o curso nesta entrevista ao site do Instituto Mamirauá.

As atividades do Centro Vocacional Tecnológico do Instituto Mamirauá – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MCTIC) – contam com recursos da Gordon and Betty Moore Foundation.

Como foi o processo para ingressar no CVT e de onde surgiu esse interesse?

Eu fui para Tefé com o objetivo de cursar o Ensino Médio. E, ao voltar para comunidade, a associação pediu que eu fosse um dos candidatos do Centro Vocacional Tecnológico. Acabou dando certo. Meus pais foram um dos meus maiores motivadores a fazer o curso, sempre me incentivando a estudar para poder ajudar a comunidade futuramente.

Qual era sua expectativa em relação ao curso e como tem sido essa experiência?

Eu aprendi muito mais do que eu esperava com as aulas do CVT. O que a gente aprende em sala de aula e nas oficinas com os Programas de Manejo do Instituto Mamirauá transforma nossa vida. Tem sido uma experiência muito marcante.

Qual foi o tema que mais chamou sua atenção nas aulas?

As aulas que mais me interessaram foram sobre políticas públicas, manejo de pesca e manejo florestal. São temas muito importantes para nossa comunidade e nós estávamos precisando de mais informações sobre isso. Eu repassei o que eu aprendi no CVT e isso tem nos ajudado bastante.

No primeiro ano do curso vocês elaboram um plano de trabalho junto com a comunidade, como foi essa construção e o que você está abordando no seu plano de trabalho?

A partir do diagnóstico realizado junto com a comunidade ano passado foram apontados sete problemas. O meu plano de trabalho consiste em trabalhar para resolvê-los. Alguns dos problemas apontados foram em relação à pesca e a ausência de um centro comunitário. Esse espaço é fundamental para os moradores se reunirem e discutirem temas importantes para comunidade. Além disso, temos alguns outros problemas estruturais e na parte da educação.

Como tem sido voltar para comunidade para executar o plano de trabalho?

Quando eu voltei senti uma expectativa muito grande dos outros moradores em relação ao que eu aprendi. Além de estar desenvolvendo meu plano de trabalho, eu estou procurando ajudar com outras coisas também. Participo das reuniões, auxilio na elaboração de documentos, entre outras coisas.

Você tem participado das atividades de manejo florestal na sua comunidade. Como tem sido esse envolvimento?

Eu ajudei na parte de preenchimento das fichas e na medição da madeira. Nós estamos trabalhando agora com o levantamento de estoque para ano que vem fazer a exploração. Os moradores da comunidade estiveram bem envolvidos nas atividades de capacitação do Instituto Mamirauá, então, esperamos um resultado positivo.

Como é morar em uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável?

Para mim, morar em uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável, como é a Reserva Amanã, é ter direito de utilizar os recursos que existem ali. Mas é preciso fazer com responsabilidade. Nós temos um papel importante na proteção daquele local e o que eu aprendi no CVT me faz ter mais consciência sobre isso e de como eu e os outros moradores podemos atuar para ajudar na conservação dos recursos naturais.

Texto: Laís Maia

 

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