Canteiros suspensos criam possibilidade de cultivo no período de cheia

Publicado em:  1 de março de 2014

O período das cheias dos rios dificulta o plantio em comunidades das regiões de várzea na Amazônia. Com a cheia, a produção é alagada e por isso alguns agricultores optam cultivar espécies de ciclo curto. Com base na realidade local, o Instituto Mamirauá, através do Programa de Manejo de Agroecossistemas (PMA), buscou incentivar o cultivo de hortaliças em canteiros suspensos na comunidade de São Paulo que fica na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. Assim, os cultivos não seriam submersos nos períodos de enchente dos rios.

Os técnicos do Instituto Mamirauá visitaram a comunidade e discutiram as possibilidades de implantar o projeto. “Fizemos várias visitas à comunidade. A primeira foi para discutir tecnologia e fazer os demais acertos. Foi pensado em uma forma de parceira em que eles entrariam com a matéria-prima para fazer as hortas e nós com a assessoria técnica”, explicou a coordenadora, Angela May Steward.

A ideia da assessoria técnica do Instituto Mamirauá é dar apoio e estimular a troca de conhecimentos e saberes entre os técnicos e agricultores, construindo um conhecimento conjunto. Segundo o técnico agroflorestal, Samis Vieira de Brito, “a proposta é cultivar as hortaliças nos canteiros suspensos nos períodos de cheia e, quando a água baixar, cultivar espécies de ciclo curto, como mandioca, jerimum, feijão, melancia”, explicou.

Foram criados nove canteiros que variam entre dois e três metros de altura, dependendo do local. Neles foram plantadas hortaliças de várias espécies utilizadas diariamente no consumo das famílias. Pensando em estimular essas atividades, o Instituto Mamirauá, em parceria com IFAM, realizou um curso de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC). “O curso teve como objetivo incentivar o uso de espécies de plantas não convencionais consideradas potenciais para alimentação, bem como trazer informações sobre a identificação dessas espécies no entorno da comunidade e, ainda, trocar experiências sobre formas de preparo destas para servir de alimentação. Um exemplo é a urtiga que, após tratada, pode ser utilizada na alimentação. Assim queremos fazer uma integração cultivando as convencionais e as não convencionais”, comentou Brito. 

A ação ainda está em fase experimental e existe a intenção de se expandir a informação para outras comunidades. Os técnicos continuarão o acompanhamento para validar o sucesso da ideia. Apesar disso, segundo o técnico agroflorestal, a proposta foi bem aceita pela comunidade. O PMA continuará acompanhando os cultivos e as instalações este ano no período da cheia para obter novos dados sobre o processo.

 
Texto: Paulo Henrique Araujo

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