Ave marcada pelo Instituto Mamirauá na Amazônia é encontrada no Uruguai

Publicado em: 15 de de 2015

As pesquisas sobre a trajetória das aves migratórias da Amazônia podem estar um passo à frente. Uma ave deslocou quase quatro mil quilômetros, entre o norte do Brasil e o sul do Uruguai, no período de dois anos. Em julho desse ano, um talha-mar marcado pela equipe do Instituto Mamirauá na região do Médio Solimões foi encontrado no Uruguai, na costa de La Barra, perto das praias de Punta del Este.

O animal foi capturado e anilhado pela equipe do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em 2013, numa praia do canal do Aranapu, que liga os rios Solimões e Japurá, município de Uarini (AM).

A pesquisadora do Instituto, Bianca Bernardon, afirmou que o encontro da ave contribui para os estudos sobre o deslocamento dessa espécie.  “Com mais recapturas a gente vai poder ter uma ideia do caminho que eles fazem, para saber como estão os ambientes que esses animais utilizam, e se esses ambientes estão saudáveis para que eles continuem essa rota migratória ao longo dos anos”, ressaltou a pesquisadora. 

A rota de deslocamento da ave pode ser vista no mapa disponível no site do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os animais chegam nas praias do médio Solimões no período da seca, quando fazem seus ninhos. Durante a cheia, a maioria deles desaparece da região e ainda não há conhecimento sobre o percurso e destino dos animais.

A ave era filhote em 2013, quando foi avaliada pela equipe. No Uruguai, o animal foi encontrado sozinho e sem vida. A pesquisadora ressalta que esses animais se deslocam em grupos e os filhotes geralmente acompanham os adultos. “Para garantir a continuidade da população, é preciso saber se todos os ambientes que eles estão usando estão em equilíbrio e oferecem recursos. Caso contrário, essa espécie pode estar sofrendo uma ameaça que a gente ainda não saiba, isso acontece principalmente quando envolve outros países que têm legislações diferentes”, afirmou.

 
A rota de deslocamento da ave pode ser vista no mapa disponível no site do Ibama

A pesquisa foi realizada entre 2012 e 2014. Durante o período da seca, a equipe percorreu algumas praias do rio Solimões, entre os municípios de Uarini e Fonte Boa. Durante o trabalho, as aves talha-mar (Rynchops niger), trinta-réis-grande (Phaetusa simplex) e trinta-réis-anão (Sternula superciliaris) receberam um anel com número de identificação e, antes da soltura, foi avaliado o estado de saúde dos animais e coletados dados como tamanho e peso.

A pesquisa teve como objetivo conhecer melhor sobre a migração, dieta e reprodução das espécies. Foi feito monitoramento dos ninhos visando identificar principais predadores e o sucesso reprodutivo. Para conhecer mais sobre a alimentação dos animais, foram coletados resquícios de regurgito e analisados em laboratório posteriormente.

Desde o início do trabalho, 4.014 aves entre adultos e filhotes já foram anilhadas. A pesquisadora comenta que esse é o primeiro registro de recaptura fora da região. “A gente ainda não tinha ideia de onde eles iam. Pensávamos que fosse mais perto, para as praias do Nordeste”, afirmou Bianca. Outra recaptura aconteceu em 2013, quando duas gaivotas anilhadas foram encontradas em uma comunidade da Reserva Mamirauá, um ano após a marcação. Em 2014, cerca de 35 aves anilhadas nos anos anteriores foram recapturadas na Reserva Mamirauá. O fato indica que parte dos animais retorna para a mesma região onde nascem ou se reproduzem.

Texto: Amanda Lelis

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