Aprendendo com os "Peixes da Amazônia"

Publicado em: 24 de agosto de 2012

24.08.2012 – Greicy Marinho da Costa é professora da Rede Municipal de Ensino de Tefé (AM). Leciona na Escola Municipal Wenceslau de Queiroz, há seis anos. Formou-se em contabilidade e como já entendia de cálculo, resolveu fazer um curso na área de humanas para alcançar certo “equilíbrio”, como ela mesma definiu essa mescla de duas áreas tão distintas.

Quando estava fazendo estágio, passou a gostar do trabalho com crianças. “Então, comecei a fazer diferente já na época do estágio. Você começa a gostar e foi o que aconteceu comigo. Quis muito ser educadora, quis muito ser professora”, afirmou. 
 
Greicy foi uma das professoras que participaram da Oficina sobre o uso das cartilhas “Peixes da Amazônia”, promovida pelo Programa Qualidade de Vida do Instituto Mamirauá, para docentes do município de Tefé, entre os dias 14 e 20 de agosto. A produção das cartilhas contou com o apoio financeiro do Programa ExxonMobil Mamirauá de Educação Ambiental. 
 
Segundo Dávila Corrêa, coordenadora do Programa Qualidade de Vida, a oficina finalizou com resultados positivos. “Contamos com o apoio da Secretaria Municipal de Educação de Tefé, para a liberação dos professores e isso garantiu a eles a oportunidade de trabalhar com um material didático regional. Durante esses dias nós observamos que os professores estão comprometidos em realizar uma Educação para o Meio Ambiente com abordagem curricular”, avaliou a coordenadora.
 
Acompanhe trechos da entrevista que Greicy concedeu ao site do Instituto Mamirauá.
 
Como o magistério a motiva?
 
Eu já tinha me apaixonado e ser professora do meu filho me motivou muito mais porque foi com ele que eu fui descobrindo de que forma eu poderia trabalhar com meus alunos. E isso é muito importante, quando você já trás alguma coisa e de repente você já encontra algo a mais, pra você querer muito mais, isso te dá motivos.
 
Qual é a sua origem?
 
Meus pais eram agricultores, agora, só tenho minha mãe. Nós estávamos no interior, mas eu vim de uma comunidade. Eu sempre quis mostrar para os meus filhos que não é porque você é uma pessoa de classe baixa que você não pode progredir. Mas pra você chegar lá, você vai ter que lutar muito e estudar muito. Se todas as pessoas pudessem pensar que estudar é a única forma de se chegar a qualquer lugar... Meu pai me dizia isso. 
Meu pai foi a pessoa mais sábia que eu podia ter conhecido. Ele não tinha escolaridade, mas tinha sabedoria, e a instrução dele vinha de casa. Você não vai aprender sua instrução na escola, você só vai aprender algumas coisas lá; mas a instrução, vem da nossa primeira escola que é em casa.
 
Você já desenvolve um trabalho de educação ambiental?
 
Tudo é educação, e tudo é ambiente. O professor já tem que pensar em ambiente e sala de aula, ambiente e escola, ambiente e cidade, ambiente e rua. Você, como professor, precisa conscientizar seus alunos. O professor é um grande conscientizador. Ele vai abranger um todo com relação a isso porque, às vezes, em casa não tem essa relação. Na escola é diferente porque é ele “o professor” que vai fazer toda essa diferença na vida do aluno, para que ele possa levar essa questão para os pais, a questão da sala limpa, da rua limpa, da cidade limpa, pois se cada um fizer a sua parte, todos nós teremos um objetivo comum para melhorar a nossa cidade. Agora, se eu faço e você e dez, vinte, trinta pessoas não fazem, nós não temos como fazer nada.
 
O que te motivou a participar da oficina?
As cartilhas são excelentes! Podemos trabalhar a transdisciplinaridade, a multidisciplinaridade. Eu trabalho muito com a interdisciplinaridade porque uma coisa pode puxar a outra. Por exemplo, numa questão de uma pescaria, você pode pescar uma história, você pode formar frases, você pode fazer inúmeras coisas com um simples texto, mas para isso, como a professora Elizabeth Gama estava explicando, você precisa conhecer, porque isso, às vezes, é novo e, por isso, se precisa conhecer, saber para se trabalhar.
 
O que você acha que vai acontecer daqui pra frente, no aprendizado, utilizando uma metodologia mais correta para as crianças aqui da região? Qual é a sua expectativa a partir do uso dessas cartilhas?
 
Eu Acredito que não só para as crianças, mas para os professores que vão se tornar multiplicadores. Ao menos, da minha parte, vou fazer muito isso porque eu já tinha, já conversava com alguns professores sobre o material que eu já tinha. Agora, acredito que as crianças vão aprender mais. Não que eles não aprendam, mas aprenderão mais sobre a sua própria região, mais sobre a nossa realidade, mais sobre nossos peixes, sobre os nossos rios. É algo que nós não temos! Esse conteúdo é prático para se trabalhar. Se você procurar em qualquer lugar um material como este, não tem. Nós vamos fazer com que eles se conscientizem e mostraremos o porquê é tão importante preservar e conservar. O Instituto Mamirauá está fazendo um papel dinâmico e que eles possam continuar porque só, nós não vamos conseguir trazer toda essa consciência. Nós e o Instituto Mamirauá poderemos criar um mundo diferente. 
 
Texto: Renata Brandão
 

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