Após três meses, máquina de gelo traz melhorias à qualidade de vida de comunidade da Amazônia

Publicado em: 12 de novembro de 2015

Água gelada num dia de sol, peixes frescos conservados no gelo, e até os alimentos perecíveis trazidos da cidade para a zona rural, agora podem durar mais tempo. Depois de três meses da instalação das máquinas do projeto Gelo Solar, financiado pelo Desafio de Impacto Social Google | Brasil, os moradores da comunidade Vila Nova do Amanã já desfrutam de uma realidade diferente. Com gelo produzido diariamente na localidade, a partir de energia solar fotovoltaica, a comunidade já se organizou para a utilização da produção diária de gelo e para a gestão e uso das máquinas.

Por mais triviais que pareçam os episódios citados no início do texto, em muitas comunidades ribeirinhas do Amazonas, o acesso à energia para atividades básicas ainda é restrito. “O Instituto Mamirauá está levando uma inovação tecnológica, com impacto social e ambiental, e está testando isso em campo. Mas, depois de instalar e de passar pelo processo de experimentação, a expectativa do projeto é que a comunidade cuide disso, se aproprie dessa tecnologia”, ressaltou Iaci Penteado, pesquisadora do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A equipe acompanha a comunidade com um monitoramento mensal. Desde a instalação das máquinas, já foram feitos dois monitoramentos junto à comunidade, e mais um está programado para final de novembro. Durante a atividade, são levantados dados de funcionamento das máquinas, da produção diária de gelo e do trabalho que a tecnologia demanda da comunidade. E também dados como geração de renda, quais tipos de produção são vendidos pelas famílias, por exemplo, pesca e agricultura, o gasto com a compra de itens para alimentação, quanto desses itens são perecíveis e necessitam ser armazenados em refrigeração, entre outras informações.

Iaci destaca que é feita uma avaliação do próprio sistema e registrada a quantidade de gelo utilizada pelas famílias, assim como a percepção da comunidade dessa produção, se ela tem sido o bastante para suprir a necessidade local. “A atividade de monitoramento é importante primeiro porque estou fazendo a pesquisa social, vendo como a máquina de gelo está impactando a comunidade, como eles estão se organizando para gerir coletivamente essa tecnologia. Mas é importante também porque permite que a gente faça alterações no projeto ao longo do seu desenvolvimento. Pegamos a opinião deles, inclusive sugestões, para aprimorar o projeto”, disse a pesquisadora.

Atualmente, cerca de 60 pessoas vivem na comunidade Vila Nova do Amanã, que está situada no município de Maraã, no Amazonas, e faz parte do território da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. Antes da implementação do projeto Gelo Solar, os moradores da comunidade traziam gelo de Tefé, centro urbano mais próximo, para conservar os alimentos e a produção local. A viagem dura em média dez horas, a depender do nível do rio e das condições da embarcação.

Pelo projeto, foram instaladas três máquinas, que podem gerar até 90kg de gelo por dia. Uma das máquinas apresentou um defeito e passará por manutenção. As duas outras estão produzindo 18 grandes pedras de gelo que são divididas entre os comunitários ou vendidas para comunidades vizinhas.

Confira no vídeo abaixo o andamento do projeto:

Gestão da tecnologia

De acordo com a pesquisadora social, os moradores da comunidade estabeleceram um rodízio entre diferentes equipes para cuidar da “Fábrica de Gelo”, como é chamada pelos comunitários. As equipes revezam nas atividades a cada uma semana. “Uma coisa legal foi a forma como se organizaram para gerir a máquina. Eles fizeram equipes de quatro ou cinco pessoas. Essas pessoas são responsáveis por manter o ambiente da fábrica limpo, pelo processo de colocar água nas máquinas, ligar a máquina de manhã, e ao final do dia retirar o gelo”, disse.

No mês de setembro, técnicos e pesquisadores do Instituto estiveram na comunidade Vila Nova do Amanã para realizar a Oficina de Gestão da tecnologia. “A ideia da oficina foi, no primeiro momento, passar para eles orientações básicas do uso da máquina. Como liga, como desliga, quais os cuidados. E também que a gente pudesse discutir como eles iam se organizar para cuidar, para sermos facilitadores desse processo”, contou Iaci.

De acordo com a pesquisadora, o monitoramento deve durar um ano, para avaliar a utilização da tecnologia em diferentes épocas. Observando tanto as variações do ambiente, climáticas, por exemplo, quanto das atividades produtivas, épocas em que a comunidade se dedica mais à pesca ou à agricultura. 

Texto: Amanda Lelis

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