Apoio técnico e governamental para o manejo: governança e estudos de caso

Publicado em: 10 de agosto de 2012

10.08.2012 – O Instituto Mamirauá finalizou ontem, dia 9, em Manaus (AM), o 1º Seminário Internacional sobre Conservação e Manejo de Pirarucu em Ambientes Naturais, no Centro de Convenções Studio 5. O evento foi uma oportunidade para os mais de 180 participantes discutirem importantes temas da atualidade e do futuro do manejo do pirarucu.

 
Representantes de setores governamentais, como Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Secretaria Estadual de aquicultura e Pesca do Amazonas, IBAMA/Superintendência do Amazonas, entre outros, apresentaram suas ações de implementação das políticas de atendimento ao setor da pesca. Ana Cláudia Torres, coordenadora do programa de Manejo da Pesca do Instituto Mamirauá, apresentou o método de avaliação participativa para o estabelecimento de cotas que o a instituição vem aplicando junto aos pescadores manejadores de pirarucu. Fatores biológicos e ambientais do recurso, bem como aspectos sociais relacionados ao manejo são fundamentais para que a cota seja definida de forma correta. 
 
Após os debates com as representações governamentais, a mesa “Regulamentação da Pesca de Pirarucu no Estado do Pará” também teve a participação do oceanógrafo Dr. Leandro Castello, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Atualmente, segundo Castello, a região do Baixo Amazonas, no Pará, apresenta um declínio na realização do manejo do pirarucu. “As estimativas mostram que as populações de pirarucu estão apenas 4% do que elas poderiam ser, se elas fossem bem manejadas”, explicou Castello, apontando a solução: “o que a gente precisa fazer é implementar manejo, trabalhar com os pescadores e com os órgãos governamentais pra reverter essa situação”, concluiu.
 
Para o coordenador do MOPEBAM, Luiz Vinhote, a organização é a chave do negócio. “É necessário estar sempre fortalecendo os pescadores para se alcançar resultados, e o grande desafio é manter as colônias unificadas”, explicou Vinhote, contando que o Movimento teve uma importante conquista no biênio 2010/2011 em relação ao seguro desemprego dos pescadores do período. “Neste ano, houve um problema na emissão de carteira de pescadores pelo Ministério da Pesca e muitos pescadores ficaram sem o seguro desemprego. Então nós entramos com uma ação unificada e ganhamos. Os pescadores voltaram a receber porque se mantiveram unidos”, afirmou o coordenador dos pescadores.
 
O presidente da Colônia de Pescadores Z-32, de Maraã, Luiz Gonzaga de Matos, disse que a troca de experiências entre os diferentes lugares onde acontece o manejo do pirarucu foi muito importante, mas a melhor discussão, em sua opinião, foi com os órgãos de governo, porque “a gente conseguiu se colocar entre aqueles que tomam decisões e ouvir hoje quem está na ponta, quem de fato faz um sacrifício para que as espécies estejam lá na natureza, é algo conquistado, porque o governo nunca nos ouve. Neste Seminário, eles ouviram!”, comemorou o pescador.
 
Na avaliação da organizadora do evento, Ellen Amaral, o objetivo proposto foi alcançado “porque os profissionais que trabalham com manejo do pirarucu aceitaram promover a discussão” dizendo que o Seminário foi o primeiro passo dado num processo de diálogo desencadeado. “Tem algumas propostas de encaminhamento que foram sugeridas ao longo do encontro, que serão organizadas”, explicou Amaral, anunciando que, já para o próximo ano, a intenção é produzir uma publicação sobre os debates do Seminário.
 
Texto: Lígia Apel

Últimas Notícias

Comentários

Receba as novidade em seu e-mail: