Antes da pesca, manejadores fazem contagem de pirarucus

Publicado em: 30 de outubro de 2014

Manejar um recurso natural requer a organização de várias atividades durante o decorrer de um ano. Com o manejo do pirarucu não é diferente. Antes da própria pesca ocorrer, os manejadores estão envolvidos com a contagem de pirarucus, por exemplo. É o que ocorre neste final de outubro nos complexos de lagos próximos à cidade de Maraã.

Desde 15 de outubro, 28 pescadores associados à Colônia Z 32, de Maraã, estão trabalhando em 46 lagos fazendo a contagem de pirarucus. Alcione Alencar, um destes pescadores, ressalta que “se a gente não fizer a contagem, não tem como saber o tanto que a gente pode pescar no outro ano. E também é um meio de avaliação, se o peixe está aumentando ou diminuindo. Por isso a contagem é uma parte importante da organização do manejo”. É partir dessa estimativa populacional de pirarucus que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) libera a quota para a pesca manejada do próximo ano.  A Colônia Z 32, que já maneja o pirarucu desde 2002, recebe anualmente a maior quota para a pesca no estado do Amazonas.

A contagem é uma atividade paciente e silenciosa. Os pescadores atentos marcam em seus cadernos os pirarucus que sobem à superfície para respirar. Experientes, eles conseguem diferenciar os pirarucus entre suas boiadas, nome dado àquela subida. Para a contagem, os pescadores distribuem-se por entre os lagos, em grupos que variam conforme o tamanho de cada ambiente. Um a um em suas canoas, os pescadores se distribuem em unidades de áreas de no máximo dois hectares, e contam durante 20 minutos os pirarucus que sobem à superfície para respirar. Esse período é o tempo médio da respiração destes peixes.

Os contadores, que hoje já realizam de forma independente a atividade, receberam uma série de treinamentos oferecidos pelo Instituto Mamirauá.  Inclusive uma cartilha sobre o tema já foi elaborada. Por meio destes treinamentos os pescadores foram certificados e treinados no método de contagem desenvolvido no início dos anos 2000 por pesquisadores do Instituto em parceria com pescadores experientes. “Nos cursos procuramos padronizar o método de contagem, além de enfatizar a importância e compromisso com a veracidade e boa qualidade das contagens. Na verdade a gente não ensina ninguém a contar pirarucu. Treinamos pescadores que já têm conhecimento sobre o comportamento e pesca do pirarucu para que eles se adaptem e usem a metodologia da melhor forma possível”, afirma Ruiter Braga, técnico do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá. O padrão garante também dados mais consistentes, comparáveis ao longo dos anos.

O objetivo destas ações é dar ferramentas aos pescadores, para que por meio de suas organizações os próprios desenvolvam de forma independente as atividades de manejo, em todos os seus aspectos. “Hoje a gente vem se beneficiando através do manejo do pirarucu, o que para a gente é muito importante, porque a gente tem comprado algumas coisas para organizar melhor nossa casa. Isso é uma coisa que melhorou bastante para o pescador”, conclui Alcione. 

Por Vanessa Eyng

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