Análise sanguínea da iaçá revela estado de saúde da espécie

Publicado em: 30 de agosto de 2013

Os valores de hematócrito (Ht%) e concentração de proteínas plasmáticas totais (PPT) da iaçá (Podocnemis sextuberculata, espécie de quelônio) variam de acordo com a temporada reprodutiva e  ciclo hidrológico da bacia amazônica. Esse foi o resultado observado em uma pesquisa realizada por membros Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, através do Projeto Aquavert com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental, nos meses de agosto de 2012 e janeiro e fevereiro de 2013.

“Nosso principal objetivo foi  gerar parâmetros sanguíneos que sirvam de valores referenciais para a avaliação de saúde das iaçás”, explica a veterinária Mariana Silva Martins, uma das pesquisadoras. Além de Mariana, participaram da pesquisa Cristiane Gomes de Araújo, Robinson Botero-Arias (ambos do Instituto Mamirauá), Cássia Santos Camillo, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Paulo Rogério Mangini e Renata Carolina Santos, do Instituto Tríade para Medicina da Conservação, parceiros do projeto Aquavert.

O trabalho ainda está em andamento, mas a avaliação primária já foi realizada. “Os valores obtidos de hematócritos informam quanto a possíveis quadros de anemia, e os valores de PPT nos mostram o estado nutricional dos indivíduos”, afirma Mariana. Ambos os parâmetros apresentaram valores maiores no início da temporada reprodutiva em comparação  ao final. “Isso demonstra que os animais se encontravam com mais reserva energética no início da temporada, não só pela maior oferta alimentar nos lagos e nas florestas inundadas durante a enchente e cheia, mas também pela própria característica reprodutiva da espécie de diminuir a busca de alimento e reservar energia para a reprodução durante a vazante e seca”, explica.

Trabalho de campo

As análises dos dados coletados ainda acontecem - segundo Mariana, agora os pesquisadores vão avaliar a contagem diferencial de leucócitos e presença de hemoparasitas. “Todos esses dados serão cruzados com a avaliação física e de outros parâmetros sanguíneos que já temos, para gerar os valores sanguíneos referenciais para as iaçás”, revela. “A iaçá é considerada uma espécie vulnerável e vem sendo cada vez mais caçada pelo homem, redobrando assim a necessidade de levantarmos informações sobre a saúde dos indivíduos e das populações”, afirma.

“Antigamente a espécie de quelônio mais caçada era a tartaruga da Amazônia, por seu tamanho e número de ovos – a caça foi tão intensa que ela foi considerada ecologicamente extinta na região da Reserva Mamirauá. Com a diminuição da oferta de tartarugas-da-amazônia, a caça passou a ser direcionada para as espécies menores, como tracajás e iaçás, que seguem pela mesmo caminho”, explica a veterinária..

Ela ainda comenta que esta caça intensa torna as ações de educação ambiental desenvolvidas pelo Instituto Mamirauá e pelo projeto Aquavert tão importantes. “Através da educação, principalmente das crianças, é possível sensibilizar as pessoas para a necessidade de se conservar tanto indivíduos adultos quanto as áreas de desova e os ninhos”, conta. “Quanto mais engajada a comunidade ribeirinha estiver na conservação, menor será a pressão de caça, mais filhotes chegarão à natureza e maior a chance do recurso se manter disponível de forma sustentável”, completa.

Texto: Lilian Wiczneski

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