Amazônia, ciência e cidadania além das fronteiras nacionais

Publicado em:  4 de maio de 2018

Quando pensamos sobre a Amazônia normalmente nos impressionamos com a sua grandiosidade. Água, biodiversidade e pessoas. Uma bacia hidrográfica que une Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Guiana.  Com essa dimensão, elaborar estratégias de conservação para o bioma requer abarcar essa diversidade.

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia vai fazer justamente isso: envolvendo comunidades locais e pesquisadores em diferentes países, vai levantar dados relevantes sobre a bacia do rio Amazonas. Essas informações são fundamentais para pensar polí­ticas públicas e soluções eficientes de conservação, geração de renda e gestão de Unidades de Conservação.

O projeto conta com tecnologias de baixo custo, como um aplicativo de celular e kits de monitoramento de água. Por meio da participação cidadã, serão coletadas informações sobre os peixes que migram e sobre a qualidade da água.

Os peixes migratórios, como os grandes bagres ou o tambaqui e o jaraqui, por exemplo, são ótimos bioindicadores da conectividade dos rios. Eles dependem de vários ambientes aquáticos e circulam por muitos pontos da bacia. Esses peixes são importante fonte de renda e de alimentação e representam cerca de 80% do pescado produzido na Amazônia.  Para eles, é importante que todas essas áreas estejam em condições apropriadas de conservação.

II Encontro de Sócios

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia conta com um grupo articulado de instituições que estão implementando a iniciativa. Em Iquitos, no Peru, cerca de 70 representantes estiveram juntos para o II Encontro de Sócios.  O encontro aconteceu nos dias 24, 25 e 26 de abril e reuniu a equipe da  Wildlife Conservation Society (WCS) e sócios, entre eles o Instituto Mamirauá.

O encontro é uma oportunidade dos diferentes sócios se encontrarem e compartilharem o trabalho que estão realizando em suas localidades, seus planos de implementação e seus desafios. "Também foi uma oportunidade de mostramos os resultados do desenvolvimento do aplicativo, que é a nossa principal ferramenta para registrar os dados sobre migração dos peixes. Saímos do encontro com as relações fortalecidas para continuar trabalhando juntos", aponta Gina Leite, da WCS.

Participação, Tecnologia, Registro e Aprendizados, Incidência Polí­tica e Ciência foram os temas transversais de trabalho. Esses grandes temas serão fundamentais para a implementação das iniciativas e colaborarão para que os objetivos do projeto sejam alcançados.

"Não é possível fazer um projeto de Ciência Cidadã sem participação e envolvimento das comunidades locais. E pela experiência de atuação do Instituto Mamirauá, sabemos que a mobilização das populações locais também passa pelo interesse que elas têm na garantia de seu modo de vida, o que inclui suas atividades de geração de renda. Devemos sempre nos perguntar como dados de pesquisa e de monitoramento podem servir tanto para a ciência quanto para essas comunidades, criando estratégias de trabalho conjunto", apresentou Vanessa Eyng, analista de pesquisa do Instituto Mamirauá.

Implementação na Amazônia Central

O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), está implementado o projeto no Médio Solimões, Amazônia Central. O projeto contempla os municípios de Tefé, Alvarães, Uarini, Maraã, Fonte Boa, Jutaí e Santo Antônio do Içá.

Serão instalados kits de monitoramento de água e de condições climáticas. Além disso, o uso do aplicativo será trabalhado com grupos-alvo predefinidos. Esses grupos envolvem pescadores organizados e comunidades das Reservas de Desenvolvimento Sustentáveis Mamirauá e Amanã. Também serão envolvidos empreendimentos de turismo e escolas. No caso das escolas, serão trabalhados projetos pedagógicos sobre a importância da bacia do rio Amazonas, dos peixes e das migrações, e do significado de um projeto de ciência cidadã.

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia é resultado do trabalho associado da WCS, Instituto Mamirauá, The Cornell Lab, Instituto del Bien Común, San Diego Zoo, University of Washington, Universidad San Francisco e Florida International University. Conta com o apoio da Fundação Gordan e Betty Moore e colabora com as iniciativas Águas Amazônicas, Movimento Río Vivos e Amazon Fish.

Texto: Divulgação 

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