Alunos do primeiro Centro Vocacional Tecnológico do Amazonas aprendem sobre sistemas de energias renováveis

Publicado em:  4 de setembro de 2014

Fontes inesgotáveis e gratuitas de energia limpa. Os sistemas de energias renováveis se caracterizam como uma alternativa viável para o atendimento da demanda energética, sem a desvantagem do impacto socioambiental comum nas fontes tradicionais, como usinas hidrelétricas e termoelétricas movidas a combustíveis fósseis. Essas fontes alternativas, especialmente o sistema fotovoltaico, foram assunto das aulas do Centro Vocacional Tecnológico / Tecnologias Sociais da Várzea Amazônica, dentro do tema gerador “Mudanças Climáticas” tratado no mês de agosto.

Os 28 alunos do primeiro Centro Vocacional Tecnológico do Amazonas, instalado na sede do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá em Tefé, participam do curso há quatro meses e já tiveram aulas sobre climatologia e aquecimento global, tecnologias sociais, políticas de mitigação ambiental, manejo de agroecossistemas, ecologia florestal entre outros temas. As aulas acontecem de segunda a sexta, no campus do instituto. O curso tem a duração de dois anos e, ao final, os alunos serão certificados como técnicos de Gestão em Tecnologias Sociais. Os módulos são organizados mensalmente e quem ministra as aulas são os técnicos e pesquisadores do Instituto.

Diomir de Souza Santos, de 20 anos, é um dos alunos que faz parte da primeira turma. O aluno, que vive em Jutaí, é engajado com as comunidades do município há mais tempo. Ele conta que sempre acompanhou seu pai, que trabalhava como secretário na Associação das Comunidades que realizam Manejo Sustentável de Jutaí - ACJ. “Eu acompanhava meu pai nas viagens, e com isso fui tendo ideia sobre a organização das comunidades, sobre o que era manejo, sobre as assembleias de setores e assembleias gerais. Auxiliando ele, fui tendo em mente a questão do manejo e até outras questões de sustentabilidade”, afirma. “No curso, aprendi sobre assuntos que antes não conhecia bem. Tive uma noção melhor do que é o sistema de energia solar, para que ele serve, e logo eu penso nas comunidades. A maioria delas não tem acesso à energia elétrica, e não tem dinheiro e nem uma organização para solicitar isso ao governo. Outra aula que me chamou atenção foi sobre o sistema de abastecimento de água. Fiquei imaginando uma comunidade que conheço que já está se organizando para implantar. Mas eles não sabem como fazer isso. No final do ano, estou pensando em apresentar esse projeto para eles”, reforçou Diomir.

Nesse módulo do curso, os alunos aprenderam sobre sistemas de energias renováveis, com foco especial no sistema de energia fotovoltaica. Nas aulas teóricas foi contextualizada a utilização desse tipo de sistema no Brasil e sua importância local, no Amazonas. Também foram apresentados os tipos de sistemas, autônomo e em rede, e suas particularidades, entre outros assuntos. O Instituto Mamirauá foi pioneiro na instalação de sistemas fotovoltaicos conectados à rede com seguimento solar no estado do Amazonas. Esse tipo de sistema de geração de energia é vinculado à rede de distribuição da concessionária de energia local. São instalados módulos que transformam a corrente elétrica (de 220 para 110 volts, por exemplo), injetando a energia gerada diretamente ao consumo do prédio. A energia excedente - quando a geração é superior à demanda do prédio - é direcionada para a rede de sistema local para distribuição na cidade.

Com a parceria entre o Instituto Mamirauá e o Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Energias Alternativas (GEDAE), da Universidade Federal do Pará, os alunos tiveram a oportunidade de operar um simulador portátil de sistemas fotovoltaicos conectados à rede, que mostra de, forma didática, como é o funcionamento desse tipo de sistema. Pesquisadores do grupo que desenvolveu o simulador estiveram no Instituto e contribuíram para a aula prática.

No segundo módulo coordenado pelo pelo Grupo de Pesquisas em Inovação, Desenvolvimento e Adaptação de Tecnologias Sustentáveis (Gpidats) do Instituto Mamirauá, previsto para outubro, os alunos terão a oportunidade de participar de todo o processo de instalação do sistema fotovoltaico do prédio em que estudam. “Os jovens vão montar o gerador solar com a gente, fazer as conexões, instalar os inversores, ligar o sistema, além de implantar e participar do monitoramento dos dados que esse sistema vai gerar. Vamos instalar também alguns sensores que vão capturar dados de radiância, temperatura do módulo, velocidade e direção do vento, informações que vão alimentar o banco de dados de pesquisas de renováveis do Instituto. Os alunos irão participar da implantação de tudo isso”, afirmou Josivaldo Modesto, coordenador do Núcleo de Inovação e Tecnologias Sustentáveis e pesquisador do Gpidats.

O Centro Vocacional Tecnológico

O primeiro centro do Amazonas foi inaugurado pelo Instituto Mamirauá em março de 2014, com o intuito de capacitar lideranças visando a sustentabilidade ambiental e econômica das comunidades, contribuindo para empoderamento de jovens da região. A proposta é que o centro seja ampliado para áreas da Reserva Mamirauá, com a construção de duas bases flutuantes próximas às sedes dos municípios de Maraã e Fonte Boa. Os CVTs são unidades de ensino e de profissionalização, voltados para a difusão do acesso ao conhecimento científico e tecnológico. A iniciativa da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (Secis/MCTI) conta com 370 centros tecnológicos no Brasil.

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