Água, sol e tecnologia: uma forma alternativa de criação de gado na Amazônia

Publicado em:  1 de novembro de 2017

Água, sol e tecnologia. Estas três palavras motivaram Otacílio Brito a experimentar outra forma de criação na Amazônia. Hoje, ele testa um novo modo de criação de gado na Fazenda Águida, uma área de 100 hectares, localizada em Tefé (AM). “A minha motivação em comprar a fazenda foi para experimentar outra tecnologia de criação na várzea, na Amazônia. Que todo mundo diz que não dá, que não é viável. Israel é o segundo maior produtor de leite do mundo, e grande parte de seu território é deserto. E eles conseguem resolver o problema só com água, sol e tecnologia. Então, por que isso não seria viável na Amazônia? Isso me encucava muito. Resolvi experimentar, se não der certo, tudo bem. Nosso maior problema é a falta de tecnologia”.

Com ajuda dos técnicos do Projeto BioREC, Otacílio experimenta, desde 2016, uma alternativa para o manejo sustentável de animais em sua área. A proposta é baseada no Pastoreio Racional Voisin (PRV), uma técnica que vem sendo aplicada em várias regiões do país e consiste na implementação de parcelas nas áreas de criação. Isso permite o rodízio dos animais entre as áreas de pastagem e tem como fundamento princípios da sustentabilidade e uso racional do solo, considerando as características de cada bioma. “Já era um desejo meu fazer a experiência lá. Mas o que contribuiu para a decisão foi o empobrecimento do solo em função da mudança no revezamento da pastagem. Agora, eu acredito que a iniciativa vai ser um divisor de águas na história da pecuária da região, já que todo mundo cria num sistema extensivo, o que leva ao empobrecimento do solo. O sistema PRV pode mudar isso, beneficiando os produtores”, acredita.

O Instituto Mamirauá leva a informação de acesso à tecnologia por meio de oficinas e assessoria técnica. Além disso, é preciso um planejamento do criador para o sistema e reunir os recursos necessários. Alternativas para tornar acessível, que permitam viabilizar a implementação da técnica PRV e as adaptações ao contexto local estão sendo pesquisadas.

A estratégia de usar a fazenda Águida para testar a técnica é também de disseminação, pois as pessoas vão poder ver que é possível e viável para a Amazônia. “Eu acho que vai desmistificar esse preconceito de que não é viável. O pequeno criador vai ver que uma unidade demonstrativa funciona de forma simples. E não envolve grandes tecnologias, aplicação de máquinas, só depende de ações administrativas, disciplina e conhecimento científico. Acho que essas três coisas são fundamentais. E se tiver isso, o pequeno criador poderá ver que é viável, criar sem impacto ambiental, sem depredar o meio ambiente”, expressa com otimismo.

Texto: Eunice Venturi

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