Agricultores familiares da Amazônia discutem práticas de manejo em Sistemas Agroflorestais

Publicado em: 20 de maio de 2014

O Instituto Mamirauá, através do Programa de Manejo de Agroecossistemas (PMA), está promovendo a Primeira Oficina de Multiplicação de Conhecimentos em Sistemas Agroflorestais (SAFs), que iniciou ontem, dia 19, e termina na quinta, dia 23. Agricultores que trabalham em iniciativas de SAFs em várias regiões da Amazônia foram convidados para participar desta oficina, junto com os “agricultores experimentadores”, aqueles que já foram capacitados e já experimentaram as práticas adquiridas, da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.

“Desde o início nossa ideia foi juntar agricultores com diversas experiências na Amazônia para trocar seus conhecimentos com agricultura e SAFs. Esperamos que a oficina seja um estímulo para construir novas formas de trabalhar com a terra, melhorando cada área de plantio”, disse Angela Steward, coordenadora do PMA.

A programação da oficina engloba principalmente atividades em campo, realizadas na Reserva Amanã. Na primeira atividade, ainda na cidade de Tefé, os sete convidados conversaram com pesquisadores do Instituto Mamirauá e com estudantes do Centro Vocacional Tecnológico (CVT), compartilhando suas práticas de manejo.

Além das questões que envolvem o plantio e a colheita, o armazenamento e a comercialização dos produtos também são pontos fundamentais para se pensar estas práticas. O Projeto RECA enfrentou estas questões fundamentais de logística no início de suas atividades, há 25 anos. Segundo Cássia de Brito, “os primeiros SAFs conseguiram produzir, mas o que aconteceu foi que começaram a produzir muito e as feiras não eram mais suficientes. A gente viu que precisava crescer e organizar a questão do comércio e da logística. Cada vez mais foi surgindo a necessidade da gente se organizar”. 

“As capacitações agroflorestais têm como objetivo estimular o aperfeiçoamento do manejo dos agrossistemas, aproveitando as características dos sistemas locais; buscando compreender, por exemplo, o papel da matéria orgânica, as consequências do uso do fogo e a sua relação com a manutenção e fertilidade dos sistemas produtivos. Além disso, é produzida a experimentação participativa de técnicas diferenciadas de manejo e implantação de sistemas buscando complementar as práticas realizadas tradicionalmente pelos agricultores”, mostra Samis Vieira de Brito, técnico agroflorestal do PMA.

Os agricultores  familiares convidados são: José Rodrigues Pinto, do Projeto Assentamento Água Branca/AM, indicado pelo Museu da Amazônia; José Aldari Coelho Filho, da Comunidade Pagodão,  Rio Negro/AM, indicado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas; Enoque de Souza Cirilo e Sabastião Carvalho de Souza, ambos da Associação Mel da Pedreira / AP; Valdir Silva de Souza, do Grupo de Agricultores Ecológicos do Humaitá / AC; Aldenir Paulino Pinheiro Kaxinawá, Terra Indígena do Rio Jordão, Aldeia Nova Aliança / AC; e Cássia Lane de Brito Camelo, do Projeto RECA / RO.

A oficina é uma ação do componente agropecuário do projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central”, desenvolvimento pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia.

Texto: Vanessa Eyng

 

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