“A experiência no CVT me motivou a procurar cada vez mais conhecimento”

Publicado em: 20 de fevereiro de 2018

Para Kélita Godin do Carmo, o Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) foi uma experiência transformadora. A jovem de 19 anos sente-se cada vez mais motivada a estudar e buscar novas oportunidades para auxiliar no desenvolvimento da região onde nasceu. O CVT conta com financiamento da Gordon and Betty Moore Foundation. Veja o que a estudante disse sobre o curso nesta entrevista ao site do Instituto Mamirauá.

O que te fez sair do Carauari para buscar conhecimento no Centro Vocacional Tecnológico?

Eu fiquei sabendo do edital e de como funcionava o processo de seleção por um primo. A partir daí começou o meu interesse, e eu fui bastante incentivada pela minha família a participar. O líder da comunidade também buscou mais informações sobre o curso, e todos concordaram em me indicar para participar da seleção e, futuramente, poder contribuir com a organização da comunidade.

Para construir o plano de trabalho, você teve que realizar um diagnóstico participativo com os moradores da sua comunidade. Como foi e quais foram os principais problemas citados?

Como as pessoas já sabiam como seria meu trabalho, eles já estavam na expectativa e dispostos a contribuir. Eu apresentei as metodologias para o levantamento dos problemas enfrentados e obtive como resposta que a deficiência na educação, a ausência de assessoria técnica, energia e saúde eram os serviços de maior deficiência na comunidade.

Quais foram as dificuldades apontadas no tocante a esses serviços?

O maior desafio da comunidade em relação à educação é qualificar os professores. Nós recebemos muitos profissionais, mas sem a formação devida e sem experiência. Alguns chegam a causar problemas na comunidade, não sabem lidar com os alunos. Há também dificuldade na preservação dos recursos naturais. Sobre a energia, nós observamos que custo elevado é um fator bastante negativo. A comunidade gasta muito com combustível para abastecer o motor de luz. Já na saúde, a distância até a cidade é a maior dificuldade. Além disso, falta um transporte adequado e remédios.

O que você escolheu abordar no seu plano de trabalho?

Eu tenho consciência de que não vou poder resolver todos os problemas. No Carauari e na associação, as pessoas entendem bem isso também, eles sabem como funciona o CVT e o que eu devo fazer com base no conhecimento que estou adquirindo aqui.  Mas em cima do diagnóstico que realizamos em conjunto, eu espero poder amenizar todos os problemas citados pela comunidade. A questão de saúde, educação, energia e assessoria técnica.  

E como você espera contribuir com a comunidade?

Eu estabeleci algumas etapas. Uma delas é ir até essas pessoas responsáveis pela gestão de cada um desses serviços que consideramos deficientes na comunidade e vamos apresentar as questões levantadas durante o diagnóstico. No caso da educação, por exemplo, vamos questionar o motivo de enviarem profissionais sem qualificação. Vamos cobrar de quem é realmente responsável pela solução dos problemas apresentados.

Qual a mudança que a experiência no Centro Vocacional Tecnológico te trouxe?

A experiência no CVT me motivou a procurar cada vez mais conhecimento. Acho que não devo parar por aqui. Eu pretendo continuar estudando, cursar uma faculdade e me capacitar para contribuir ainda mais com minha comunidade e com as organizações que já existem na região. Então, eu sou muito grata por essa experiência no Centro Vocacional Tecnológico.

 

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