Nota de pesar pela morte de Paulo Nogueira-Neto

Publicado em: 26 de fevereiro de 2019

O Conselho de Administração, e os membros do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá lamentam, com grande pesar, a morte do ambientalista Paulo Nogueira-Neto, nesta segunda-feira (25), em São Paulo, aos 96 anos de idade.

Além de seu papel importantíssimo na história do ambientalismo brasileiro, Paulo Nogueira também compôs o Conselho de Administração do Instituto Mamirauá de 1999 a 2010, tendo ocupado a vaga de membro de notório saber na área das ciências ambientais.

A sugestão de seu nome para compor a gestão do Instituto Mamirauá foi lançada ainda na primeira reunião do Conselho de Administração do IDSM, pelo então diretor provisório da instituição, o Dr. José Márcio Ayres. Naquela ocasião o seu nome foi aprovado por unanimidade, e já na reunião seguinte, realizada em uma das bases de campo do IDSM na Reserva Mamirauá, o Conselho contou com a participação de Paulo Nogueira-Neto.

Nascido em abril de 1922, Paulo Nogueira-Neto concluiu seu bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade de São Paulo, onde também concluiu o curso de História Natural, da Faculdade de Filosofia e Letras. Sua carreira acadêmica e como ambientalista foi longa e diversa. Como pesquisador, ele se dedicou principalmente ao estudo das abelhas, tema de sua tese de doutorado e de várias publicações. Foi professor emérito do Instituto de Biociências, onde também foi um dos fundadores do Departamento de Ecologia Geral.

Em 1974 Paulo Nogueira-Neto assumiu o cargo de Secretário Especial do Meio Ambiente (SEMA) do antigo Ministério do Interior. Foi o primeiro secretário de Meio Ambiente do País, com status de ministro. No exercício do cargo, ele auxiliou na aprovação de leis importantes para o país, como a que rege a Política Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981). À frente da SEMA, ele deixou um importante legado ao país, com a decretação de um total de 3,2 milhões de hectares em unidades de conservação durante a sua gestão.

Ao longo da vida, Paulo Nogueira-Neto recebeu inúmeros reconhecimentos pelo seu trabalho. Destacamos o Prêmio Paul Getty, láurea mundial no Campo de Conservação da Natureza, recebido com Maria Tereza Jorge Pádua em 1981. Recebeu a Ordem de Rio Branco (do Brasil) e a Comenda da Arca Dourada, dos Países Baixos, e o Prêmio Duke of Edinburgh 1997, da WWF Internacional. Paulo Nogueira-Neto foi ainda um dos fundadores da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente - São Paulo, vice-presidente da WWF Brasil e atuou no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), no Conselho do Meio Ambiente (Cades) da Prefeitura de São Paulo, no Conselho de Administração da Companhia Ambiental do estado (Cetesb).

Foi, como podemos perceber nestas resumidas informações, uma longa e profícua vida em prol do conhecimento, das ciências ambientais, da preservação da natureza, da conservação da biodiversidade, e também do cultivo de muitos amigos, discípulos e admiradores. O IDSM tem a grande honra de poder contar, em sua curta história de cerca de 20 anos, com a decisiva colaboração de um colaborador do porte, da estatura e da relevância de Paulo Nogueira-Neto. Um brasileiro que já faz muita falta em tempos tão difíceis quanto os que vivemos hoje. Com informações do site O Eco. 

Conselho de Administração e Colaboradores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá


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