Programa de Manejo de Pesca promove curso de gestão compartilhada dos recursos pesqueiros

Publicado em:  3 de setembro de 2021

O Programa de Manejo de Pesca (PMP) do Instituto Mamirauá, promoveu na segunda quinzena de agosto o curso de Gestão compartilhada dos recursos pesqueiros. O foco do curso, segundo a coordenação do Programa, é no manejo de pirarucu (Arapaima gigas) em ambientes de várzea. Uma segunda edição irá acontecer no final deste mês.

O público-alvo do curso são técnicos de maneira geral, analistas ambientais, equipes de secretarias de Meio Ambiente, gestores governamentais e profissionais que por ventura realizem a assessoria de grupos de manejo em áreas protegidas da Amazônia. Originalmente, é realizado durante 11 dias, mas em razão da Pandemia e do deslocamento do curso para o segundo semestre do ano, a formação ocorreu de uma forma condensada, durante uma semana – do dia 16 a 20 de agosto. 

Assessora Executiva da Secretaria de Meio Ambiente do município de Atalaia do Norte, situado no Estado do Amazonas, Dannie Layse Pereira Chaves participou do curso e detalha as expectativas. “Fui designada para acompanhar alguns grupos de manejo, tentei buscar informações, e encontrei o Mamirauá, que é pioneiro no manejo. Um diferencial do curso foi tomar conhecimento sobre os métodos de contagem e comercialização da pesca. O objetivo da minha participação é absorver o máximo de aprendizado possível, para que eu possa levar melhorias na minha consultoria. Após o curso, vou reunir com o restante da minha equipe, transmitir os conhecimentos obtidos, para posteriormente repassar nas comunidades da região de Atalaia do Norte, grupos de manejo e para a Associação dos Produtores Rurais e Preservadores da Comunidade São Rafael, que integra um projeto de assentamento extrativista”, comentou Dannie na ocasião. 

Dorval Vasques Taite é indígena da etnia kokama, e coordenador-presidente da Associação de Articulação Indígena de Alvarães/AM. “Recebi o convite do curso, porque temos uma parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do município de Alvarães. Como temos o plano de ampliar o acordo de pesca da aldeia indígena Nova Macedônia, da etnia Awá-Canoeiro, surgiu essa vaga para nos capacitarmos e acompanhar o acordo de pesca dentro aldeia. Achei muito importante a gente (sic) se preparar, e fazer esse acompanhamento lá dentro, porque tem várias aldeias lá com necessidade de fazer esse conteúdo (sic)”, comentou Dorval. “Tem coisa (sic) que até eu mesmo não tinha conhecimento na parte de organização de pesca, e que tive conhecimento com essa capacitação aqui. É até bom ter esse conhecimento, pois hoje é muito defasada a questão da parte técnica (sic)”. No total, o município de Alvarães tem sete aldeias indígenas. 

A outra edição do curso será promovida no período de 27 de setembro ao dia primeiro de outubro deste ano, envolvendo técnicos do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e Secretaria Municipal de Pecuária, Agricultura e Abastecimento (Sempa) de Alvarães, e a Semma de Amaturá/AM.

O Instituto Mamirauá coleciona uma longa experiência de 21 anos na aplicação de sistemas de manejo dos recursos naturais junto às populações ribeirinhas da Amazônia. O PMP, inserido na Diretoria de Manejo e Desenvolvimento do Instituto, iniciou suas atividades em 1999. Dentre as linhas de atuação do Programa, constam a assessoria às comunidades ribeirinhas das Reservas Mamirauá e Amanã, e cidades do entorno (Tefé, Alvarães e Maraã). 

O manejo participativo de pirarucu, assessorado pelo PMP desde 1999, é reconhecido como uma experiência concreta de gestão compartilhada de um recurso de importância cultural e econômica para a região. Isto porque, ao longo de 21 anos, a iniciativa tem promovido tanto a conservação da espécie, quanto o incremento na renda das famílias ribeirinhas envolvidas na atividade.

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