Feira de pirarucu legal garante retorno de mais de R$ 31 mil para pescadores e pescadoras da Amazônia

Publicado em: 12 de novembro de 2021

Estima-se que a 18ª edição da Feira de Pirarucu manejado tenha atraído um público estimado de 500 pessoas durante os seus dois dias de realização

Mais uma vez, a tradicional Feira de Pirarucu Manejado e produtos da agricultura familiar garantiu um retorno para manejadores e manejadoras da região do Médio Solimões, estado do Amazonas. Desta vez, a Feira que foi realizada nos últimos dois dias do mês de outubro deste ano, garantiu para pescadores e pescadoras um faturamento na ordem de R$ 31 mil. Todos os 101 peixes colocados à venda para moradores da cidade e turistas, foram comercializados a um preço médio de R$ 6,82, contabilizando um total de quase 3 toneladas de carne vendidas aos consumidores. Ao todo, cerca de 500 pessoas foram prestigiar o evento que aconteceu na cidade de Tefé (AM). 

Além do sucesso da comercialização do pescado, a Feira promoveu de forma inédita um Concurso Gastronômico em uma noite cultural e gastronômica, que premiou com valores em espécie as três melhores receitas que utilizassem pirarucu Mamirauá e a farinha Uarini. O anúncio da obtenção da Indicação Geográfica (IG) na categoria denominação de origem para o pirarucu Mamirauá, antecedeu o concurso e abrilhantou a noite gastronômica no segundo dia da Feira.  

Motivos não faltam para comemorar. É o que reforça a coordenadora do Programa de Manejo de Pesca (PMP) do Instituto Mamirauá, Ana Cláudia Torres. “Foram direcionados 101 peixes para comercialização e todos foram vendidos. A venda saiu conforme as expectativas, inclusive superando as expectativas, e isso indica que quando a Feira é promovida no final do mês, talvez, seja preciso direcionar uma quantidade maior, visto que as pessoas estão com recurso na mão e tem demandas acumuladas ao longo do ano, e compram até mais do que inicialmente tinham expectativas de comprar”, observou Ana Cláudia.  

Todo pescado que foi comercializado é proveniente do complexo de lagos do Pantaleão, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, município de Maraã, a 610 km de Manaus, em que atuam pescadores urbanos vinculados as Colônias de Pescadores Z-4 de Tefé e Z-23 de Alvarães.  A coordenadora explica qual é a contribuição do PMP na realização da Feira. “O Programa de Manejo de Pesca enquanto assessoria técnica, atua na articulação com membros de instituições parceiras locais, na promoção de reuniões de planejamento, na disponibilização de equipamentos e nas contrapartidas que são realizadas pelos parceiros também. Então, o Programa de Pesca é um agente de articulação”, detalha.  

Para a coordenadora do PMP, entre as diversas contribuições que a Feira representa dentro do contexto do manejo de pesca, estão a valorização do produto e do produtor (uma das principais dificuldades encontradas na comercialização), e a possibilidade de aumentar a renda para pescadores e pescadoras. A pesca do pirarucu teve início em setembro deste ano – quando os manejadores e manejadoras receberam as autorizações -, se concentra entre setembro a novembro, e se estende até o dia 30 de novembro, que é o prazo máximo para pesca. “A Feira representa mais uma oportunidade de comércio para produção, também representa oportunidade de aproximação entre quem produz e quem consome os produtos; entre produtor e consumidor. Representa também a possibilidade de oferta do produto legal no mercado local, para o acesso da população a esse produto”, finaliza.  

Uma próxima edição está prevista para acontecer no município de Alvarães ainda neste ano, no dia 10 de dezembro, de acordo com informações de um dos coordenadores do grupo do Acordo de Pesca do Pantaleão. Segundo consta, serão colocados à disposição para venda cerca de 40 pirarucus legais e, tão logo seja confirmada, será divulgada nos canais de comunicação do Instituto Mamirauá.  

Carine F. S. Corrêa / Instituto Mamirauá
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Lançamento da IG: noite cultural e gastronômica

Destaque nesta edição da Feira, o anúncio da obtenção do reconhecimento da IG para o pirarucu Mamirauá, aconteceu na noite do último dia do evento, e contou com a exibição de um vídeo sobre a IG do Pirarucu, com relatos dos manejadores e instituições envolvidas no processo. O Instituto Mamirauá atuou como um agente de articulação desta conquista, principalmente através do Núcleo de Inovação e Tecnologias Sustentáveis (Nits) e pelo PMP, que contaram ainda com o apoio do Grupo de Pesquisa em Inovação, Desenvolvimento e Adaptação de Tecnologias Sustentáveis (GPIDATS) na elaboração do dossiê que foi encaminhado ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). “Com o lançamento oficial [da IG], foi iniciado um trabalho de divulgação, que será de longo prazo, para a sensibilização em prol do consumo consciente, elucidando a importância de se escolher produtos que possuem esse tipo de reconhecimento, agregando tradicionalidade e sustentabilidade em sua produção”, comenta Tabatha Benitz, Analista de Inovação e Pesquisa do Nits. A analista ainda antecipa que um evento em Manaus está programado para acontecer no próximo ano, com a finalidade de ampliar o movimento de divulgação em torno da conquista da Indicação Geográfica ao pirarucu Mamirauá.  

O selo é gerido pela Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá (FEMAPAM) que, segundo Tabatha, agora pode implementá-lo nas áreas de abrangência, e comercializar o produto com esse diferencial de origem. “A FEMAPAM já é detentora do selo da IG, e já pode utilizar esse instrumento para se diferenciar no mercado. Agora está em andamento um Plano de Negócios da Federação e um Plano Estratégico para nortear como a IG será gerida nos territórios, além do mapeamento de potenciais mercados que se interessem em comercializar o pirarucu manejado Mamirauá. É um longo trabalho pela frente, e que está apenas começando”, avalia Tabatha com otimismo.  

Em relação ao Concurso Gastronômico, três “chefs” de cozinha levaram para casa prêmios em dinheiro, além de um troféu no formato do gigante da Amazônia. Ao todo, 14 pessoas participaram do Concurso, que ainda presenteou todos os inscritos com uma aula gratuita conduzida pelo chefe de cozinha de Manaus Milton Braga Rola Neto, na unidade do SENAC em Tefé. “Foi um evento inédito e experimental, e superou nossas expectativas”, comemora Benitz, já anunciando que para a próxima edição, será realizado novamente um outro concurso que, desta vez, contemplará duas modalidades: para cozinheiros jovens e mirins. “A utilização dos produtos com IG na elaboração dos pratos, foi uma forma de disseminar e popularizar o que é a IG, e para que os produtores e manejadores ganhassem visibilidade na venda de seus produtos. Além do pirarucu Mamirauá que possui denominação de origem, foi divulgada a farinha Uarini que possui indicação de procedência”, conclui.  

Um dos projetos de fortalecimento na atuação do manejo de Pirarucu, é financiado pelo Programa Cadeias Produtivas da Bioeconomia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI)Diretora de Manejo e Desenvolvimento (DMD) do Instituto Mamirauá, Dávila Corrêa analisa a importância do projeto “Estruturação e fortalecimento de arranjos produtivos do pirarucu de manejo na Amazônia Central” como fomento na cadeia produtiva do pirarucu. “A Feira que ocorre no mercado de Tefé, é um espaço de ‘ganha-ganha’. Porque acaba sendo um espaço que promove a disseminação das práticas de manejo sustentáveis de recursos naturais, numa cidade que é o polo comercial do Médio Solimões. Então, é nesse espaço que o manejador tem a oportunidade de acessar diretamente a população consumidora. É um espaço também que ele promove sua articulação política com parceiros da cidade e região. Essa articulação é importante para buscar o reconhecimento também do trabalho desses manejadores. E, ao mesmo tempo, a população local tem a oportunidade de conhecer e de comprar uma produção que chega ao mercado local baseada em práticas que unem a conservação da biodiversidade, e o desenvolvimento social.  É nesse cenário, que o projeto Estruturação e fortalecimento de arranjos produtivos - alinhado com o Programa da Bioeconomia - colabora para promover a autonomia do manejador na comercialização, e também implementar estratégias para agregar valor ao primeiro elo da cadeia, que são os pescadores e as pescadoras”, afirma a Diretora.  

O projeto está em andamento, e prevê contribuições para a cadeia produtiva do pirarucu, desde a construção de um flutuante de recepção e pré-beneficiamento do pescado coordenado pelo Programa Qualidade de Vida (PQV), até a organização da FEMAPAM através do Plano de Negócios participativo, que acontece em conjunto com o Nits. A finalidade do Plano é identificar desafios e oportunidades para agregar valor ao pirarucu, assim como identificar novos mercados para o pescado.

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