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Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

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Rafael Forte

Da Alemanha à Amazônia: Cientistas da TiHo conhecem o Instituto Mamirauá e pensam em parcerias

07/04/2017


Intercâmbio feito por veterinária do Instituto Mamirauá na Alemanha estimulou a visita das pesquisadoras da TiHO, centro de referência em Medicina Veterinária

Uma equipe de doutorandos da Universidade de Medicina Veterinária de Hannover (TiHo Hannover), Alemanha, concluiu nessa semana uma visita de conhecimento e troca de informações com o Instituto Mamirauá, na Amazônia. Desde o último dia 26 de março, as pesquisadoras Kathia Gillandt, Lisa Nier e Sally Rauterberg estiveram na região do Médio Solimões, estado do Amazonas. Elas acompanharam algumas das atividades do Instituto com foco no uso sustentável dos recursos da natureza e na melhoria de vida das populações locais.

As cientistas alemãs representam o Instituto de Higiene, Bem-Estar Animal e Comportamento de Animais de Produção (ITTN), um dos 19 institutos que compõem a TiHo. A TiHo é uma das mais prestigiadas universidades de medicina veterinária do mundo, com quase 240 anos de existência. Foi lá que a veterinária do Instituto Mamirauá, Paula Araujo, fez um intercâmbio de três meses no ano passado, parte do prêmio alemão Green Talents, do qual ela foi uma das vencedoras em 2015.

Paula é veterinária e, no Instituto Mamirauá, faz parte do Programa de Manejo de Agrossistemas, onde trabalha com assessoria técnica para o manejo agroecológico de gado na Reserva Amanã (AM). Durante o intercâmbio, ela compartilhou um pouco das experiências em trabalhar com comunidades ribeirinhas na Amazônia, o que motivou a vinda das pesquisadoras da TiHo.

“Eu fiz uma apresentação sobre o Instituto enquanto estive lá e eles acharam muito interessante os projetos que nós fazemos na Amazônia e pediram para fazer uma visita. Também há um interesse da professora Nicole Kemper, que é a líder do ITTN, de estreitar esses laços entre as instituições e, quem sabe, no futuro construir projetos juntos”, conta Paula.

Conhecendo o Instituto Mamirauá e as comunidades

Entre os dias 28 de março e 3 de abril, a comitiva estrangeira navegou pelas águas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, uma das maiores áreas protegidas da América do Sul. Com a ajuda dos técnicos do Instituto Mamirauá, eles visitaram moradores da região. Agricultores, criadores de gado e outros produtores rurais que mostraram uma parte do trabalho que é feito em parceria com o Programa de Manejo de Agrossistemas (PMA). A assessoria ao manejo de pequenos animais de criação e na construção de Sistemas Agroflorestais (SAF´s) são alguns exemplos.

“Visitar a Reserva foi muito interessante para nós, porque nós não temos nada parecido na Alemanha!”, disse a pesquisadora Kathia Gillandt. “O que nós achamos realmente incrível é a maneira que o Mamirauá ajuda com assessoria técnica sem dizer ‘você tem que fazer desse jeito’, mas ‘ei, essa é uma ideia que você pode usar se você quiser e se for bom pra você e nós podemos ajuda-lo’”.

A especialista alemã ficou impressionada com as atividades de manejo e criação de abelhas sem ferrão nas fazendas e sítios, uma técnica para segurança alimentar e a conservação de abelhas nativas e seus serviços ecológicos. “Nós visitamos fazendas e vimos o trabalho com (o manejo e criação de) as abelhas sem ferrão e é muito bom que se possa preservar a natureza dessa maneira também, você não mata as abelhas e tira o mel, mas as mantém e não destrói tudo. Eu adoro a forma como eles trabalham com sustentabilidade, pois é algo que eu gostaria de ver mais em nosso mundo hoje”.

Parcerias em vista

De volta da reserva, as pesquisadoras visitantes fizeram uma apresentação da TiHo na sede do Instituto Mamirauá, localizada no município de Tefé, na última terça-feira (4). Para uma audiência de pesquisadores e técnicos do Instituto, elas exibiram alguns trabalhos desenvolvidos pelo Instituto de Higiene, Bem-Estar Animal e Comportamento de Animais de Produção (ITTN) e a estrutura em relação a laboratórios e análises disponíveis.

Os dias seguintes foram de encontros com grupos de pesquisa do Instituto Mamirauá para trocar ideias e pensar juntos possibilidades de parcerias entre as instituições. “É o início de uma relação entre o Instituto Mamirauá e a TiHo e, por isso, foi importante a vinda das pesquisadoras de lá para que, juntos, pudéssemos identificar alguns pontos em comum, projetos que podem ser desenvolvidos no futuro”, avalia Paula Araujo. “A coordenadora do ITTN, Dra. Nicole Kemper, sinalizou a possibilidade de, por parcerias, conseguir financiamentos da cooperação Brasil-Alemanha para pesquisas científicas".

Texto: João Cunha

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