Instituto Mamirauá - Conservação na Amazônia - Migração de jovens na Reserva Mamirauá é de 76% - http://www.mamiraua.org.br/pt-br/comunicacao/noticias/2013/9/2/migracao-de-jovens-na-reserva-mamiraua-e-de-76/

Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Notícias

Rafael Forte

Migração de jovens na Reserva Mamirauá é de 76%

02/09/2013

Rafael Forte

A migração de jovens na Reserva Mamirauá é de 76%, nos últimos anos, e, desses, 77% está migrando para áreas urbanas. Este é um dos resultados da pesquisa “Perfil sociodemográfico dos jovens da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDSM), Amazonas”, realizada pelo Grupo de Pesquisa Populações Ribeirinhas, Modos de Vida e Políticas Públicas na Amazônia Ocidental do Instituto Mamirauá. Segundo a pesquisadora Dávila Corrêa, uma das autoras da pesquisa, a falta de condições de estudo é fator que contribui para a migração entre os homens e as mulheres.

Os dados avaliados envolvem população jovem, com idade entre 15 e 29 anos. Para feito de comparação foi utilizada a série histórica do Censo Demográfico da Reserva Mamirauá (2001, 2006 e 2011), que representa uma extensão territorial de 260.000 hectares. Para as análises da área completa da Reserva Mamirauá (1.124.000 hectares) foram utilizados somente dados de 2011. Em 2011, 73% da população da reserva apresentou idade inferior a 30 anos.

Em 2011, os jovens (15 a 29 anos de idade, n=2.513) correspondem a 27% da população total da Reserva Mamirauá. Entre os jovens 44% são mulheres e 56% homens. A razão de sexo indica 127 homens para cada grupo 100 mulheres jovens. A escolaridade foi observada considerando se estudaram no ano anterior a coleta de dados (2010) e qual a última série escolar cursada. A taxa de analfabetismo entre os jovens diminuiu 11 pontos percentuais, no período de 2001 (17%) e 2011 (6%). Esse resultado pode ser consequência de ações de programas do Governo Estadual e Federal para alfabetização de jovens e adultos. Entretanto, em 2011, 6,2 foi a média de anos de estudo, que está fortemente concentrada no Ensino Fundamental incompleto.

Com relação à migração entre os jovens a saída é maior do que a chegada às comunidades, com 76% e 24%, respectivamente. Sendo que 77% das migrações de saída são para área urbana e 23% para outra localidade rural. “A migração de saída apresentou pouca diferença entre os sexos, a justificativa para o comportamento ser semelhante entre homens e mulheres pode indicar a diminuição do envolvimento de ambos os sexos nas atividades familiares produtivas locais e a presença de uma renda doméstica menos dependente da organização familiar. Estudar é o segundo motivo de migração entre os jovens, principalmente para áreas urbanas”, concluiu.

Na opinião da pesquisadora, o estudo justifica-se pela importância em observar e compreender a dinâmica demográfica da população jovem de uma Unidade de Conservação. “Esses resultados poderão contribuir para o planejamento de políticas públicas, principalmente, no âmbito da educação e para refletir sobre a necessidade de uma nova ruralidade acerca do jovem rural. Não podemos afirmar que os jovens estão desinteressados completamente pelo rural, no entanto é importante compreender suas motivações e interesses enquanto projeto de vida”, afirmou Dávila.

Financiadores