Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá foi a primeira unidade de conservação dessa categoria implantada no Brasil.  Antes de ser transformada em RDS, a área foi definida como Estação Ecológica Mamirauá a partir de uma solicitação encaminhada em 1985 pelo pesquisador José Márcio Ayres ao então secretário especial de Meio Ambiente, Paulo Nogueira Neto, propondo a criação de uma estação ecológica totalmente constituída por várzea. O pedido foi feito para proteger o macaco uacari branco (Cacajao calvus calvus), espécie estudada por Ayres para seu doutorado. Conservando a área, o uacari branco poderia ter suas chances de sobrevivência asseguradas, uma vez que essa espécie estava ameaçada de extinção.

Assim, em 1990, o governo do Estado do Amazonas decretou a área como uma uma estação ecológica estadual, com 1.124.000 hectares, englobando todas as terras baixas de várzea situadas no triângulo delimitado pelo Auatí-paraná, rio Solimões e rio Japurá. (Ayres, 2002). Em 1993, a EEM foi reconhecida pela "Convenção Ramsar", das Nações Unidas, passando a integrar uma relação protegida de áreas úmidas de importância e interesse mundial e, em 1994, a Estação foi incluída em uma lista de unidades de conservação da Amazônia de importância relevante para constituição de uma Reserva da biosfera.

No entanto, como a categoria Estação Ecológica não contempla a permanência das populações locais, foi proposta então a transformação da área em RDS, o que ocorreu com o decreto estadual nº 2.411, de 1996.
Para a sua implantação, foi elaborado um Plano de Manejo com base no resultado de pesquisas sociais e biológicas pelo período de cinco anos (1991-1996). Nele, constam as normas para uso sustentado dos recursos naturais, definidas com base nos resultados das pesquisas e das negociações realizadas com as populações de moradores e usuários da Reserva e com as principais organizações sociais atuantes na área. Este processo de negociação permanece por intermédio das avaliações anuais dos investimentos e resultados, realizadas nas assembléias gerais anuais.

Junto com a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, criada em 1998, e com o Parque Nacional do Jaú, Mamirauá forma o maior bloco de floresta tropical protegida do mundo, totalizando aproximadamente seis milhões de hectares, uma área maior do que a Suíça. Além disso, as RDS Mamirauá e Amanã são consideradas Patrimônio Mundial pela Unesco. Diante dos resultados positivos do modelo Mamirauá, essa experiência vem sendo replicada no Brasil e no exterior.