42 mil quelônios vão nascer em Mamirauá
Vivian Chimendes 21/12/2011 - A carne e os ovos de “bichos de casco” são iguarias em diversas áreas da Região Norte. O prato é apreciado tanto pelos moradores da região quanto por turistas, ávidos por todo tipo de aventuras, inclusive as gastronômicas. Desde a chegada dos colonizadores na região, algumas espécies de quelônios têm sido alvo de consumo insustentável. Atualmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza classifica a tartaruga-da-amazônia como dependente de programas de conservação. Outras duas espécies, tracajá e iaçá, são classificadas como vulneráveis.
Para mitigar o processo de consumo insustentável de quelônios na Amazônia, instituições de pesquisa da região têm adotado medidas de conservação. Na região do médio Solimões, no Amazonas, desde 1998 o Instituto Mamirauá oferece assessoria técnica a comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá que desenvolvem atividades voluntárias para proteger áreas de reprodução de quelônios. Em 2011, 44 comunidades atuaram na proteção de 16 praias e 17 lagos da Reserva, utilizados para a desova de tartarugas, tracajás e iaçás.
Nessas áreas, os moradores das comunidades ribeirinhas se revezam na atividade de vigilância da praia ou lago, para que nenhum membro da comunidade ou invasor externo retire dali ovos ou animais. Para organizar as atividades, os ribeirinhos recebem o apoio do Programa de Gestão Comunitária (PGC) do Instituto Mamirauá, além de orientações técnicas de pesquisadores do projeto Aquavert (Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos), desenvolvido pelo Instituto Mamirauá, com o patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental.
Números da conservação
O período de reprodução dos quelônios é durante a estação seca, que na região da Reserva Mamirauá vai de julho a dezembro. Nas 33 áreas de desova que estão sendo protegidas, até o final de outubro, foram registrados 1448 ninhos de iaçá, 379 de tracajá e 133 de tartaruga. Estima-se o nascimento de 42 mil filhotes nas áreas de proteção.
A proteção de 133 ninhos de tartaruga é um número bastante animador para a espécie, que é a mais ameaçada nesta região da Amazônia. Em 1998, no início das atividades, apenas seis ninhos de tartaruga foram protegidos por moradores voluntários.
Cássia Camillo, bióloga responsável pelas pesquisas sobre quelônios no projeto Aquavert, comemora o aumento das áreas protegidas: em 2010 foram somente 18 áreas, 15 a menos que este ano. “Também percebemos um interesse muito maior por parte dos comunitários. Antes, nós, do Instituto Mamirauá, tínhamos que ir às comunidades para incentivá-las a iniciar a proteção de uma área. Hoje, as comunidades nos procuram pedindo assessoria e apoio”, diz a bióloga.
Para mais informações sobre o projeto Aquavert, acesse www.mamiraua.org.br/aquavert
Texto: Augusto Rodrigues



