26/10/2009
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| Foto: Marcos Amend |
Desde 1999, a região do Médio Solimões vem se destacando com o desenvolvimento do Manejo Participativo do Pirarucu (Arapaima gigas) no interior de Unidades de Conservação de Uso Direto (UCs). Para isto, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), por meio do Programa de Manejo de Pesca, vem oferecendo assistência técnica através da capacitação dos atores envolvidos neste processo.
O IDSM, que atua prioritariamente nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, vem expandindo suas ações para as áreas do entorno, a partir do estabelecimento de parcerias com organizações governamentais e não governamentais. O curso de Contagem de Pirarucu realizado na área da RESEX Auatí-Paraná é uma das atividades da expansão da atuação do IDSM. Esse trabalho é promovido em parceria com a equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (IMCBio), responsável pela gestão da RESEX, e dá início a uma parceria que já vinha sendo desenhada por meio de ações pontuais e que começa a ganhar feições mais firmes.
A RESEX Auatí-Paraná e a RDS Mamirauá, por serem áreas contíguas, sofrem e causam influencias mútuas. É uma divisão estabelecida no papel: uma RESEX Federal, gerida pelo ICMBio, e uma RDS Estadual, gerida pelo CEUC, que tem como cogestor o IDSM. Entretanto, na prática, a população local utiliza ambas as áreas, tem costumes e tradições parecidos e vem desenvolvendo atividades semelhantes, como o Manejo do Pirarucu. Desta forma, a equipe do IDSM e a equipe do ICMBio vêm pensando no desenvolvimento da parceria como uma estratégia de fortalecimento da gestão das duas UC’s.
A contagem do Pirarucu é um método desenvolvido a partir do atrelamento do conhecimento tradicional ao conhecimento científico e se mostra como uma oportunidade de desenvolvimento que valoriza os saberes locais na busca por melhor qualidade de vida. Desta forma, se apresenta como uma experiência coerente com os objetivos de desenvolvimento sustentável esperados para a região da Amazônia Brasileira.
O curso de formação de contadores de Pirarucu tem como objetivo principal a capacitação dos pescadores que já atuam no Manejo do Pirarucu e visam o aprimoramento de suas técnicas. Entretanto, neste caso, foi além do objetivo geral esperado, visto que a metodologia utilizada estimulou discussões sobre responsabilidade no processo de contagem e eficiência técnica.
Consideramos que, a partir do trabalho de estímulo à mobilização e à organização comunitária e à participação feminina, é possível atingir maior sucesso no manejo, com o comprometimento dos atores envolvidos e o esclarecimento do papel de cada um neste processo. A forma como foi conduzido o curso permitiu que os comunitários percebessem que a contagem do pirarucu não se resume a uma simples contagem dos peixes, mas envolve outras responsabilidades e um comprometimento de toda a comunidade, da Associação de Moradores e das organizações gestoras. O curso foi realizado na comunidade Cordeiro nos dias 10, 11 e 12 de Agosto de 2009 e contou com a participação de 32 pescadores.
É preciso que os pescadores, principais atores do processo, estejam envolvidos em todas as etapas do manejo, já que são eles os detentores dos conhecimentos fundamentais para a sua realização, além de serem os principais beneficiados com a atividade. Entretanto, é essencial que haja um fortalecimento das parcerias entre as organizações envolvidas com a gestão das UCs, dando apoio principalmente no processo de formação dos pescadores, possibilitando que eles tenham cada vez mais a autonomia para atuarem em todas as etapas do manejo.
Texto: Nataluzo Balbino (Programa de Manejo de Pesca/IDSM) e Gabriella Calixto Scelza (ICMBio).