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POSSIBILIDADE
DE MANEJO SUSTENTADO
DE JACARÉ NA RESERVA MAMIRAUÁ
Outubro,
Novembro, Dezembro/2000. Ano II - Nº 8
Jacaré
Açu no Lago Mamirauá.
Foto: Luiz C. Marigo
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Ronis
Da Silveira, que há 11 anos estuda os jacarés em Anavilhanas
(próximo a Manaus) e na Reserva Mamirauá, tem dedicado
boa parte de seu tempo defendendo a idéia de que é
possível fazer, de forma sustentável, o aproveitamento
econômico de jacarés em algumas áreas de várzea
do Amazonas.
Ele
tem tirado várias conclusões importantes de seus estudos.
Para este tema ele destaca dois pontos: "Antes de começarmos
as pesquisas no Mamirauá, o jacaré-açu era
considerado uma espécie ameaçada de extinção.
Aqui nós encontramos uma abundância imensa dessa espécie,
a qual também é bastante comum em outras áreas
como os rios Juruá, Purus e Madeira. No Mamirauá devem
estar as maiores populações de jacarés do mundo.
Outro ponto que chamou muito a atenção, é que
a pesca do jacaré, praticada pelos moradores em Mamirauá,
tem grandes indicativos de ser auto-sustentável, ou seja,
ela pode ser praticada indefinidamente, desde que alguns critérios
sejam observados. Isto nos tranquilizou muito".
Sobre
o Workshop "Conservação, Monitoramento e Manejo
de Jacarés no Estado do Amazonas", promovido pelo IPAAM
(Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) e Governo
do Estado do Amazonas em outubro passado, Ronis comenta: "Foi
uma reunião muito produtiva porque nós vimos que,
apesar de existir uma proibição do aproveitamento
econômico da fauna em estado selvagem desde 1967, existe uma
possibilidade agora dentro das Reservas de Desenvolvimento Sustentável
que tenham planos de manejo. Até o momento a Reserva Mamirauá
é a única área que tem os requisitos que a
qualificam para esse tipo de programa proposto pelo Sistema Nacional
de Unidade de Conservação da Natureza-SNUC".
Durante
o workshop em Manaus "ficou decidido que a Reserva Mamirauá
seria a primeira área com condições de se implantar
um programa de comercialização de jacarés"
o que não significa que esta atividade já esteja liberada,
e o próprio Ronis alerta: "Essa lei que autorizou o
manejo em Reserva de Desenvolvimento Sustentável ainda precisa
passar por algumas etapas. Eu peço que o pessoal tenha paciência.
Não é uma coisa que se resolve de um dia para outro...
Que fique bem claro que continua proibido, ou seja, se o IBAMA pegar
alguém matando ou comercializando jacaré, essa pessoa
vai ter problemas muito sérios. Que fique bem claro que eu
e também o Instituto Mamirauá não estamos liberando
nada, porque nós não temos esse poder, mas estamos
sim, negociando. Ainda existem várias etapas a serem vencidas".
Boa
parte dessas etapas estão ligadas à Reserva Mamirauá,
mais concretamente às comunidades. Seguindo os modelos do
manejo de pirarucu e florestal, o aproveitamento econômico
do jacaré só terá êxito se puder contar
com a paciência, o interesse e a organização
das comunidades. "Todos sabem que a exploração
do pirarucu está proibida em todo o Amazonas, mas o IBAMA,
pelo respeito que tem ao Mamirauá, pela qualidade de informação
cientifica que o Mamirauá tem produzido nesses últimos
dez anos e também por termos demonstrado que é possível
controlar (o uso) junto com os moradores locais, nos autorizou a
manejar este recurso. O jacaré entra exatamente no mesmo
caso. Quem quiser participar dessa exploração econômica
vai ter que se juntar em associações, cooperativas,
ou o que quer que seja. Nós queremos que seja realmente um
trabalho em grupo, como o PCP tem feito no Setor Jarauá.
Tudo
indica que em breve o manejo sustentável de jacaré
será experimentado em algumas áreas da Reserva Mamirauá.
Estas áreas serão definidas com a participação
de moradores, técnicos do Instituto Mamirauá e de
outras instituições. Como Ronis faz questão
de alertar, será um grande desafio para todos os envolvidos:

"Se nós não obtivermos sucesso nesse aproveitamento,
provavelmente serão fechadas todas as possibilidades. Por
outro lado, se nós mostrarmos que conseguimos ter controle,
que os comunitários estão envolvidos e estão
levando a sério o programa de aproveitamento econômico
do jacaré, provavelmente essa experiência vai ser repetida
em muitas outras áreas, inclusive fora do Amazonas. Então
é muito importante a participação do morador
local, acatando as decisões a serem tomadas em assembléias
e as sugestões dos pesquisadores. Se não tivermos
sucesso, vamos ter um atraso muito grande e vai travar tudo de novo.
Ou fazemos juntos, comunitários, pesquisadores e extensionistas
- ou nada irá acontecer".
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