Os tracajás possuem um tamanho médio da carapaça de 40cm e um peso médio de 9 a
12 kg.Os machos, conhecidos popularmente como zé-pregos, são menores do que as fêmeas.
Esta espécie está presente em rios de água branca, clara e preta, nas bacias dos
rios Orinoco e Amazonas, na Venezuela, Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia,
Guiana, Guiana Francesa, Suriname.
Trata-se de uma espécie essencialmente aquática,
que habita uma variedade de habitats como rios, lagos, lagoas, brejos e pântanos.
Alimenta-se sobretudo de material vegetal, migrando durante a enchente e cheia para
as florestas alagadas. Durante a vazante e seca, adultos podem migrar para a calha
dos rios principais e tributários em busca das praias arenosas ou permanecer nos
lagos interiores e reproduzir em suas margens arenosas e areno-argilosas.
O período
de nidificação varia ao longo de sua distribuição, de acordo com a variação no ciclo
hidrológico. Na região do Médio Solimões, a desova ocorre entre agosto e setembro
e o nascimento e emergência dos filhotes de outubro a dezembro. O tempo para eclosão
dos filhotes depende diretamente da temperatura de incubação. Geralmente, os filhotes
eclodem após 45 a 50 dias, mas podem permanecer por várias semanas no interior dos
ninhos, visto que a emergência está associada ao início do período chuvoso e da
enchente dos rios.
Os ovos são elípticos e de casca dura. Uma fêmea pode desovar
duas vezes em um mesmo ano, com um período entre desovas sucessivas de cerca de
nove dias. O tamanho da ninhada depende do tamanho da fêmea, sendo que fêmeas maiores
desovam maior número de ovos. O tamanho médio da ninhada é de 30 ovos. Assim como
a tartaruga-da-amazônia, a determinação sexual de tracajás também é dependente da
temperatura de incubação dos ovos.
Ovos e indivíduos dessa espécie são bastante
apreciados para consumo pela população ribeirinha da Amazônia, sendo que sua exploração
foi intensificada com a diminuição das populações de tartaruga-da-amazônia. Sua
conservação, no entanto, é favorecida pelo seu comportamento generalista na escolha
do local de nidificação, pois desova tanto em praias arenosas como nas margens areno-argilosas
de lagos, ressacas e canos, cujo acesso é mais difícil do que nas praias. No entanto,
é considerada vulnerável pela lista vermelha da União Internacional para a Conservação
da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN), devido ao rápido aumento de sua exploração
e ao declínio de muitas populações. Na região da Reserva Mamirauá, moradores e usuários
protegem, com o apoio do Instituto Mamirauá, diversas áreas de nidificação dessa
espécie.