Tracajá
(Podocnemis unifilis)
Foto: William Quatman
Os tracajás possuem um tamanho médio da carapaça de 40cm e um peso médio de 9 a 12 kg.Os machos, conhecidos popularmente como zé-pregos, são menores do que as fêmeas. Esta espécie está presente em rios de água branca, clara e preta, nas bacias dos rios Orinoco e Amazonas, na Venezuela, Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Guiana, Guiana Francesa, Suriname.

Trata-se de uma espécie essencialmente aquática, que habita uma variedade de habitats como rios, lagos, lagoas, brejos e pântanos. Alimenta-se sobretudo de material vegetal, migrando durante a enchente e cheia para as florestas alagadas. Durante a vazante e seca, adultos podem migrar para a calha dos rios principais e tributários em busca das praias arenosas ou permanecer nos lagos interiores e reproduzir em suas margens arenosas e areno-argilosas.

O período de nidificação varia ao longo de sua distribuição, de acordo com a variação no ciclo hidrológico. Na região do Médio Solimões, a desova ocorre entre agosto e setembro e o nascimento e emergência dos filhotes de outubro a dezembro. O tempo para eclosão dos filhotes depende diretamente da temperatura de incubação. Geralmente, os filhotes eclodem após 45 a 50 dias, mas podem permanecer por várias semanas no interior dos ninhos, visto que a emergência está associada ao início do período chuvoso e da enchente dos rios.

Os ovos são elípticos e de casca dura. Uma fêmea pode desovar duas vezes em um mesmo ano, com um período entre desovas sucessivas de cerca de nove dias. O tamanho da ninhada depende do tamanho da fêmea, sendo que fêmeas maiores desovam maior número de ovos. O tamanho médio da ninhada é de 30 ovos. Assim como a tartaruga-da-amazônia, a determinação sexual de tracajás também é dependente da temperatura de incubação dos ovos.

Ovos e indivíduos dessa espécie são bastante apreciados para consumo pela população ribeirinha da Amazônia, sendo que sua exploração foi intensificada com a diminuição das populações de tartaruga-da-amazônia. Sua conservação, no entanto, é favorecida pelo seu comportamento generalista na escolha do local de nidificação, pois desova tanto em praias arenosas como nas margens areno-argilosas de lagos, ressacas e canos, cujo acesso é mais difícil do que nas praias. No entanto, é considerada vulnerável pela lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN), devido ao rápido aumento de sua exploração e ao declínio de muitas populações. Na região da Reserva Mamirauá, moradores e usuários protegem, com o apoio do Instituto Mamirauá, diversas áreas de nidificação dessa espécie.

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