Tartaruga-da-amazônia
(Podocnemis expansa)
Cássia Camillo
A tartaruga-da-amazônia é o maior quelônio de água doce da América do Sul. Atualmente, um indivíduo adulto mede cerca de 70 cm de carapaça e pesa entre 30 e 45 kg. No entanto, nos séculos passados os indivíduos atingiam tamanhos maiores, sendo que a maior fêmea registrada media 109 cm e pesava 90 kg. Machos são menores do que as fêmeas e são conhecidos popularmente como “capitaris”. Esse quelônio possui uma ampla distribuição, habitando as calhas e tributários dos rios Amazonas, Orinoco e Essequibo, na Colômbia, Venezuela, Guiana, Peru, Equador, Bolívia e Brasil.

A tartaruga-da-amazônia é uma espécie essencialmente aquática, ocorrendo em sistemas de rios de águas brancas, claras e pretas. Durante a enchente e a seca, adultos e jovens penetram as florestas inundadas, em busca de frutos e sementes. Na vazante e seca, os adultos retornam à calha dos rios em busca das praias arenosas para nidificação. Jovens e subadultos permanecem em lagos.

A temporada reprodutiva está associada ao ciclo hidrológico de cheias e vazantes, variando, portanto, ao longo de sua distribuição. Na região do Médio Solimões, a desova geralmente ocorre de setembro a novembro, com o nascimento e emergência de filhotes de novembro a janeiro.

Os ovos são redondos e de casca flexível, sendo que o tamanho da ninhada varia de acordo com o tamanho da fêmea: fêmeas maiores desovam maior número de ovos. A média de ovos por ninhada é de 90 a 100. As fêmeas de tartaruga-da-amazônia desovam apenas uma vez por ano e não necessariamente retornam às mesmas praias, visto que as praias na região amazônica, sobretudo na calha do Solimões, são bastante dinâmicas, alterando-se em sua morfologia e posição todos os anos.

Como muitas espécies de quelônios, a tartaruga-da-amazônia possui determinação sexual dependente da temperatura (TSD), ou seja, a temperatura no interior do ninho durante o segundo terço da incubação determina o sexo dos filhotes. Assim, temperaturas mais altas (geralmente superiores a 32°C) geram mais fêmeas e temperaturas mais baixas geram mais machos. O período de incubação também depende da temperatura, sendo em média de 45 a 50 dias.

Esta espécie é bastante apreciada para consumo pela população ribeirinha da Amazônia. Entre os séculos XVIII e XIX, milhões de fêmeas adultas e ovos foram utilizados para consumo e também para a produção de óleo, para iluminação pública. Devido a esta exploração massiva, na região do Médio Solimões, a tartaruga-da-amazônia encontra-se ecologicamente extinta, visto que sua população foi reduzida a números ínfimos. Moradores e usuários da Reserva Mamirauá tentam, com o apoio do Instituto Mamirauá, reverter este quadro por meio da proteção de áreas de nidificação. Em outros locais do Brasil, essa espécie é ainda abundante devido, sobretudo, à proteção das áreas de nidificação, por meio da criação de unidades de conservação de proteção integral (REBIO Abufari, REBIO Trombetas, entre outras). Por esta razão, a espécie é considerada pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN) como de baixo risco de extinção, mas dependente de programas de conservação.

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